Como todos sabemos, a corrida ganha cada vez mais adeptos, seja para perder pesou ou ter uma vida mais saudável. Em grande parte porque para começar correr é necessário basicamente um bom tênis e não é preciso um lugar específico para os treinos. E como prometido, trago aqui as lesões comuns e os cuidados para evita-las:
Fascite plantar
É uma inflamação que atinge o tecido que reveste a planta do pé e representa aproximadamente 20% das lesões entre os corredores. As principais causas são: alterações na forma do pé, aumento de peso e erros de treinamento. No primeiro caso, é possível controlar e prevenir o problema usando palmilhas adequadas e personalizadas.
"O aumento de peso provoca o encurtamento nos músculos da panturrilha, o que causa traumas no pé e inflama a fáscia plantar. Por esses e outros motivos, as pessoas que estão acima do peso não devem começar um treino de corrida, sem antes praticar caminhada", diz o ortopedista Evaldo Bósio. Treinar em terrenos muito irregulares e de forma muito longa e intensa também aumentam as chances desse problema.
Para quem já sofre com essa lesão, o contato com o ortopedista é fundamental. "A fisioterapia para o tratamento pretende diminuir a dor, controlar o processo inflamatório e reequilibrar os músculos através de alongamento e fortalecimento específicos", explica o ortopedista.
Tendinite de Aquiles
"Ela é um típica lesão por excesso de uso e, normalmente, origina-se com o aumento repentino da atividade esportiva, o uso de calçados de má qualidade ou o treino em piso inadequado", diz o ortopedista Moisés Cohen.
A tendinite de Aquiles é caracterizada por uma dor no calcanhar, principalmente na hora se subir ou descer escadas. Em casos mais graves, normalmente associados à falta de tratamento, podem levar a grande limitação dos movimentos, com dor mesmo em repouso. Essa dor é gerada por rupturas das fibras de colágeno que formam o tecido do tendão de Aquiles, que é pobre em vascularização. Essas pequenas lesões, associadas ao excesso de esforço, podem provocar uma inflamação nesse tendão.
As medidas preventivas são simples: escolher o calçado e o piso adequado para o treino e não exagerar na intensidade dos exercícios. Já o tratamento é bem mais complicado: "Ele é feito com repouso relativo, afastamento temporário das atividades físicas, uso de anti-inflamatórios e analgésicos e aplicação de gelo no local por 20 minutos, de três a quatro vezes ao dia", explica o ortopedista.
Depois, ainda é preciso passar por um processo de reabilitação feita com fisioterapia, medidas analgésicas e exercícios específicos.
Canelite
É caracterizada por dor na região da "canela" que ocorre durante o exercício, mas pode durar após o término dele se não houver descanso. Ela é a inflamação dos tendões e músculos que ficam ao redor do osso da perna chamado tíbia. "Correr com o corpo inclinado para frente e aumentar o treino de forma exagerada são causas bastantes comuns da canelite", explica Evaldo Bósio.
Além de respeitar os limites do corpo e usar um tênis adequado, fazer musculação para fortalecer os músculos inferiores também ajudam a prevenir a canelite. "Músculos fortes diminuem o impacto sobre ossos, articulações e tendões", explica o ortopedista. O especialista ainda alerta que as mulheres que entraram na menopausa devem ficar mais atentar, já que a lesão é mais comum nesse período.
Lesão do menisco
Os meniscos são estruturas que ficam dentro dos joelhos, localizadas entre os ossos chamados tíbia e fêmur. Eles têm como função absorver o impacto dos nossos membros com o solo e proteger a cartilagem do joelho. "O uso de tênis inadequados ou que já não tem a capacidade de amortecimento causam lesão no menisco", alerta Moisés Cohen.
O especialista conta que o tênis de corrida deve ser escolhido pela sua capacidade de amortecimento e o seu peso, não por sua aparência. Um tênis de corrida ainda precisa ser trocado a cada 550 quilômetros corridos. "Só esses dois cuidados já diminuem bastante as lesões no menisco causadas por impactos", explica.
Os principais sintomas dessa lesão são dor no joelho, sensação de fraqueza nas pernas, dificuldades para apoiar o pé no chão, limitação para flexão ou extensão e, nas lesões mais extensas, bloqueio da articulação.
"O tratamento normalmente é feito com gelo, analgésicos, uso de muletas e fisioterapia. Em casos mais sérios, uma cirurgia pode ser indicada pelo médico", explica o ortopedista.
Fratura por estresse
Pode ser definida como desgaste ósseo que ocorre devido à sobrecarga e exercícios repetitivos de grande intensidade. "Quando o osso é submetido a uma carga excessiva, sem que sejam respeitados os princípios de repouso e progressão da atividade, ocorre uma fratura das partes internas do osso", explica o ortopedista Moisés Cohen.
O motivo é a fadiga muscular. "Os ossos não estão preparados para absorver grande quantidade de energia. Quando os músculos ficam cansados e deixam de absorver a maior parte da energia, os ossos acabam cumprindo esta função, desgastando a estrutura", explica o profissional.
A fratura por estresse ocorre principalmente nos ossos da perna, fêmur e tíbia, e nos ossos do pé, como calcâneo. Se não for tratada, a fratura interna pode progredir para modificações anatômicas, ou seja, para uma fratura completa. De acordo com o ortopedista, esse tipo de fratura corresponde a quase 30% das lesões de corrida.
Entorses de tornozelo
Torcer o tornozelo pode causar ruptura total ou parcial dos ligamentos ou, ainda, hiper extensão dos ligamentos, problemas que podem deixar o corredor longe das pistas por vários meses. A escolha do local onde será realizada a corrida é o principal fator de proteção, já que as torções são diretamente ligadas a buracos e irregularidades na pista.
Após a torção, é necessário procurar um ortopedista para analisar qual foi o grau de seriedade da lesão. Se houver ruptura dos ligamentos, a intervenção cirúrgica será necessária.
Lombalgia
Mais conhecida como dor na coluna, a lombalgia é uma das principais queixas dos corredores. "A corrida é uma atividade física que depende da musculatura do tronco para mantê-lo dentro de uma postura correta. Por isso, se o exercício é feito de maneira errada, a pessoa com certeza terá dor nas costas", diz o ortopedista Moisés Cohen.
A melhor maneira de evitar esse problema é fazer exercícios de alongamento de forma contínua e progressiva até o limite da dor, mas sem exageros. Ao chegar no limite, o atleta deve permanecer na posição alongada de 20 a 30 segundos, de preferência sentado e de modo que trabalhe tanto os músculos dos membros superiores quanto dos inferiores.
Fonte: Minha Vida
